Isolados, pacientes com COVID também precisam de cuidados psicológicos

A atual situação de pandemia é um momento inédito na vida da maioria das pessoas. Mesmo quem vivenciou o surto de HIV nos anos 1980 ou de H1N1 em 2009 não se deparou com um ambiente tão restritivo. O distanciamento social, necessário para prevenção contra o coronavírus, tem alterado a dinâmica social. Distantes, aumentam as chances de pessoas desenvolvendo distúrbios emocionais. É nesta conjuntura que o papel do psicólogo se sobressai.

“É um momento em que o paciente vivencia grandes perdas, principalmente relacionadas à liberdade. Isso favorece o medo, a angústia e até mesmo a fantasia, além do sentimento de risco iminente de morte”, detalha a psicóloga Jéssica Aparecida Silva.

Além dos sintomas comuns, como febre e tosse, a COVID-19 é marcada também pela solidão. Sem poder receber acompanhantes, os pacientes ficam sozinhos durante o internamento, dia após dia. “A ausência dos familiares tem intensificado o sofrimento, a ansiedade e outras demandas psíquicas. O psicólogo entra como auxiliador dessas questões, trazendo conforto e bem estar aos pacientes”, explica a psicóloga Giorgia Cruz.

Se o bom atendimento psicológico é fundamental, o bem-estar emocional dos colaboradores se mostra tão necessário quanto. “O psicólogo pode colaborar oferecendo suporte emocional, tanto em grupos quanto de maneira individual, visando à prevenção e promoção de saúde mental”, aponta a psicóloga Natalia Fortunato.

“Tal suporte previne o esgotamento mental, o estresse e o bornout“, afirma Cruz. Nesse sentido, o HGIS abriu um canal de suporte via WhatsApp (11 97542-5293), para que seus colaboradores encaminhem perguntas relacionadas ao momento atual.

Mudança de rotina

Desde o início da pandemia, as psicólogas do HGIS viram sua rotina mudar. “A higienização de mãos se tornou ainda mais frequente, a comunicação com a equipe teve que se tornar ainda mais eficaz e começamos a utilizar EPI que não utilizávamos anteriormente”, conta Silva. “Também realizamos atendimento aos familiares no horário do boletim informativo, momento em que eles recebem informações sobre o paciente internado”, complementa Fortunato.

Essa última mudança também abre espaço para que os psicólogos observem novas necessidades. “É preciso preparo adequado para atuar e manejar um ambiente permeado por tensão e temores, promovendo um ambiente de resiliência e adequação do trabalho em equipe”, diz Cruz.

Foto de capa: da esquerda para direita, psicólogas Jéssica Aparecida Silva, Giorgia Cruz e Natalia Fortunato.

"É um momento em que o paciente vivencia grandes perdas, principalmente relacionadas à liberdade. Isso favorece o medo, a angústia e até mesmo a fantasia, além do sentimento de risco iminente de morte".
Jéssica Aparecida Silva
Psicóloga
"A ausência dos familiares tem intensificado o sofrimento, a ansiedade e outras demandas psíquicas. O psicólogo entra como auxiliador dessas questões, trazendo conforto e bem estar aos pacientes".
Giorgia Cruz
Psicóloga
"O psicólogo pode colaborar oferecendo suporte emocional, tanto em grupos quanto de maneira individual, visando à prevenção e promoção de saúde mental".
Natalia Fortunato
Psicóloga

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